A flutuação do preço dos combustíveis vai muito além do impacto nas finanças dos donos de veículos. Na economia globalizada atual, o petróleo e os seus derivados – como a gasolina – têm enorme influência sobre o mercado econômico.

A população sente direta e indiretamente as mudanças de preço. Embora a gasolina tenha impacto mais forte em quem tem veículo próprio – já que ônibus e caminhões são geralmente abastecidos com óleo diesel, isso não isenta que a maioria das pessoas seja influenciada pelo produto. Seja para pegar um táxi ou um carro de aplicativo ou ao comprar produtos que foram transportados e que o preço do abastecimento influenciará no valor final.

Todos esses fatores cooperam para que se dê muita atenção aos valores do combustível no mundo inteiro, mas muitas vezes não sabemos como são  feitos os cálculos e quais fatores pesam na sua alteração. Vamos, de maneira geral, conhecer os preços praticados ao redor do mundo e quais os principais agentes que influenciam na sua flutuação

Os derivados de petróleo

Combustíveis como o diesel, querosene e gasolina são produzidos através do refinamento do petróleo. Ou seja, é realizado um refinamento até que se alcance os subprodutos desejados. Dessa forma, o primeiro valor que incide no preço final dos combustíveis é o preço do petróleo.

O petróleo é comercializado no sistema de comoditie, ou seja, todo o produto que possuir o mesmo nível de qualidade e cumprir às especificações técnicas será vendido pelo mesmo valor no mercado internacional. Esse valor depende da cotação do barril de petróleo, que hoje gira em torno de US$ 71,00.

A maioria do combustíveis comercializado no Brasil é feito a partir de petróleo nacional, sendo 98% refinado pela Petrobras. Entretanto, o país ainda exporta uma parte do petróleo do exterior. A produção nacional é mais que suficiente para abastecer às necessidades brasileiras, o que ocorre é que uma parte do óleo não tem qualidade suficiente para produzir determinados derivados, de forma que uma parcela deve ser importada.

Em contrapartida, o Brasil exporta em torno de 21% do seu petróleo para o exterior. Em 2018, foram exportados mais de 412 milhões de barris. O Governo Federal tem uma estimativa de que o país passe a figurar entre os 5 maiores exportadores de petróleo do mundo até 2027, triplicando a exportação.

Influências no preço da gasolina

A pergunta que naturalmente vem à mente é, se a matéria prima do combustível possui o mesmo preço em todo mundo, porque os valores praticados nos combustíveis são tão diferentes? O primeiro motivo é que o preço da comoditie é relativo ao petróleo bruto, ainda sem o refinamento necessário para transformar-se em combustível. Assim, os custos do refinamento são repassados ao valor do combustível ao fim do processo.

O custo da refinaria cobre, além do próprio processo de refinamento do combustível, investimentos em pesquisa, transporte do produto, tratamento adequado, destilação e despesas com armazenamento.

Outro fator influente na flutuação do preço dos combustíveis são os impostos. E isto não é exclusividade do Brasil: a maioria dos países taxa os combustíveis, seja para aumentar a arrecadação ou até para inibir o uso de carros.

Também acontece o oposto, quando o governo subsidia uma parte do valor. Ou seja, o governo paga uma parte dos custos para que o preço não seja todo repassado para a população. Isso é feito quando se quer estimular a utilização de um determinado combustível.

No Brasil, muitos governos tiveram pratica de subsidiar a gasolina para conter altas no valor. Uma parte do custo total era pago com recursos dos cofres públicos para frear os aumentos. Essa prática, no entanto, pode fazer com que o país perca credibilidade perante aos investidores no mercado mundial. Por isso, governos atuais alteraram a política de preços da Petrobras, que começou a praticar valores de acordo com a flutuação do mercado internacional.

Podemos ver claramente como a política está intimamente entrelaçada ao preço dos combustíveis. Israel tem uma das gasolinas mais caras do mundo, tanto por produzir pouco petróleo quanto pelo fato dos principais produtores serem seus adversários políticos. A Grécia, país que passou por calamidades financeiras no governo recentemente, aumentou os impostos da gasolina para tentar conter a crise.

Países como a Islândia e a Noruega colocam altos impostos sobre o valor da gasolina, e não por motivos de difícil aquisição de petróleo, uma vez que a Noruega é uma das maiores produtoras mundiais. A razão é a consciência ambiental e o estímulo ao transporte público. Esses países visam desestimular a aquisição e a utilização de carros próprios que utilizem gasolina ou outros derivados de petróleo.

Mais um fator que influencia o preço dos combustíveis é a distância das cidades ou países das refinadoras. No Brasil, por exemplo, cidades mais distantes do litoral costumam ter um valor mais alto no preço final da gasolina, devido aos custos do transporte.

A forma como o combustível é transportado também tem impacto direto no preço. A utilização de matriz rodoviária para transportar combustíveis através de caminhões, como é feito no Brasil, aumenta muito o valor final. Localidades que possuem uma tubulação de óleodutos que interligam refinarias tornam o transporte muito mais seguro, eficaz e barato.

Maiores produtores de petróleo do mundo

Os Estados Unidos são o maior produtor mundial de petróleo, e responde sozinho por 13,55% da produção global da matéria-prima bruta. O país produz em média 12 milhões de barris por dia, e vem subindo no ranking nas últimas décadas.

O predomínio americano se deve principalmente às técnicas utilizadas pelo Departamento de Energia do país, que criou maneiras de extrair gás natural das formações rochosas de xisto, o que ficou conhecida como “A Revolução Americana do Xisto”. A tecnologia impactou principalmente a produção do gás natural, mas também alavancou o petróleo, visto que a metodologia de perfuração utilizada em ambos os processos é a mesma.

Por sua vez, o Brasil está em décimo lugar no ranking de produção mundial atual. O país vem crescendo de produção graças ao pré-sal, reserva petrolífera descoberta em meados de 2007, e estima chegar a 5 milhões de barris diários no futuro.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo – OPEP, responde por 75% da produção mundial de petróleo. O objetivo da organização é controlar as políticas de preço, bem como a oferta no mercado internacional. A ideia da entidade é fortalecer o poder dos países produtores frente às empresas compradoras. A organização é formada atualmente por Argélia, Angola, Congo, Equador, Guinéa Equatorial, Gabão, Irã, Kuwait, Líbia, Nigéria, Arábia Saudita, Emirádos Árabes Unidos e Venezuela.

Confira a lista com os 20 maiores produtores de petróleo do mundo e sua produção diária.

País Barris de petróleo por dia
1º Estados Unidos 12 milhões
2º Arábia Saudita 11.113 milhões
3º Rússia 10.800 milhões
4º Iraque 4.450 milhões
5º Irã 3.990 milhões
6º China 3.980 milhões
7º Canadá 3.662 milhões
8º Emirados Árabes Unidos 3.106 milhões
9º Kuwait 2.923 milhões
10º Brasil 2.515 milhões
11º Venezuela 2.276 milhões
12º México 2.186 milhões
13º Nigéria 1.999 milhões
14º Angola 1.769 milhões
15º Noruega 1.647 milhões
16º Cazaquistão 1.595 milhões
17º Argélia 1.348 milhões
18º Omã 1.006 milhões
19º Líbia 1.003 milhões
20º Reino Unido 939.760 mil

Países com a gasolina mais barata

“Caro” e “barato” são conceitos relativos ao poder aquisitivo da população de cada país. O que é barato para nós, pode ser caro para outro povo, e vice-versa. É o caso da Venezuela, país que vive um colapso político em meio a uma ditadura que subsidia grande parte do valor da gasolina, deixando-o quase de graça para a população. No entanto, o salário mínimo atual do país é de 8 dólares mensais, cerca de R$ 31,10.

Esse subsídio desenfreado pode trazer diversos prejuízos fiscais para o país, que ao deixar de vender grande parte da produção por valores correspondentes aos praticados no mercado internacional, compromete a saúde financeira da nação.

Nos Estados Unidos, a gasolina é vendida nos postos por US$ 0,81, o equivalente a R$ 3,15. O preço não coloca os americanos entre as 20 nações mais baratas, no entanto o salário mínimo por lá é de US$ 7,25 por hora (quase o mensal da Venezuela).

Entre os países com a gasolina mais barata estão, obviamente, aqueles com maiores reservas de petróleo. É o caso da Venezuela, Sudão, Kuwait, Arábia Saudita e Irã. A exceção são os Estados Unidos e a Rússia, que apesar de serem os dois maiores produtores de petróleo o mundo, não figuram entre os mais baratos. Um dos fatores é que, apesar dos Estados Unidos produzirem muito petróleo, a quantidade não atende às suas necessidades. O país consome 19.880 milhões de barris por dia! Mais do que a União Européia inteira, que consome 15 milhões de barris diários.

Confira os 20 países com a gasolina mais barata do mundo segundo dados do Global Petrol Prices.

País Preço por litro
1º Venezuela R$ 0,04
2º Cuba R$ 0,35
3º Sudão R$ 0,54
4º Irã R$ 1,13
5º Kuwait R$ 1,36
6º Argélia R$ 1,36
7º Turcomenistão R$ 1,67
8º Cazaquistão R$ 1,75
9º Egito R$ 1,79
10º Nigéria R$ 1,83
11º Azerbaijão R$ 1,83
12º Angola R$ 1,83
13º Equador R$ 1,90
14º Malásia R$ 1,94
15º Barém R$ 2,06
16º Uzbequistão R$ 2,06
17º Bolívia R$ 2,10
18º Catar R$ 2,14
19º Arábia Saudita R$ 2,18
20º Omã R$ 2,22

O preço do óleo Diesel segue mais ou menos a mesma lógica no ranking, tanto das nações mais caras como das mais baratas, visto que também é um subproduto do petróleo. O que muda são eventuais incentivos fiscais praticados por um ou outro país.

Países com a gasolina mais cara

O preço da gasolina em Hong Kong, a parte mais capitalista da China, é extremamente alto. Vendido ao consumidor final por R$ 8,48, o valor compraria 212 litros na Venezuela. O principal motivo de ser tão caro é a alta taxa tributária, em torno de R$ 3,50 por litro.

Já nos outros países, o principal motivo do alto valor são as políticas públicas que objetivam desestimular a locomoção com imóvel próprio, incentivando o uso de transporte público. O argumento é a diminuição dos gases poluentes e do trânsito das grandes cidades. Um exemplo disto é a Noruega, maior produtor de petróleo da Europa Ocidental, mas que tem uma das gasolinas mais caras do mundo. O país nórdico exporta a maioria do seu petróleo, operação que responde por 20% do faturamento da nação.

País Preço por litro
1º Hong Kong R$ 8,48
2º Mônaco R$ 7,70
3º Barbados R$ 7,66
4º Noruega R$ 7,58
5º Holanda R$ 7,54
6º Islândia R$ 7,50
7º República Centro-Africana R$ 7,39
8º Dinamarca R$ 7,15
9º Grécia R$ 7,15
10º Israel R$ 7,15
11º Itália R$ 7,08
12º Mayotte R$ 7,08
13º Finlândia R$ 6,92
14º França R$ 6,73
15º Portugal R$ 6,69
16º São Marinho R$ 6,69
17º Alemanha R$ 6,65
18º Liechtenstein R$ 6,45
19º Irlanda R$ 6,38
20º Albânia R$ 6,38

Apesar da fama de gasolina cara, o combustível brasileiro está longe de ser um dos mais altos do mundo. O Brasil ocupa a posição de número 74 no ranking dos países que mais cobram do consumidor final, com preço médio de R$ 4,51.

Todavia, o Brasil está entre os 5 países com maior produção de petróleo no mundo, o que dá a população a sensação de que poderia pagar menos na gasolina. De fato, entre os 8 maiores produtores mundiais, o Brasil é o que paga o combustível mais caro.

Outro fator é a alta carga tributária que incide sobre os combustíveis no nosso país. Esse alto pagamento para os cofres públicos sem o devido retorno em serviços à população dá a sensação de injustiça nos valores praticados. Diferentemente dos países que taxam a gasolina para desincentivar o uso de carro, o Brasil tem um transporte público muito problemático que torna quase inviável que a população não utilize de vez em quando um automóvel, seja próprio ou táxi/aplicativo. A locomoção do país é majoritariamente sobre malha viária, dispondo muito pouco de ferrovias e metrôs, o que torna o povo extremamente suscetível ao preço dos combustíveis.

Composição do preço dos combustíveis no Brasil

O preço da gasolina brasileira na bomba, conforme a Petrobras, é composto de 3 partes: parcela do produtor ou importador, tributos e lucro do vendedor. O combustível em solo brasileiro sofre uma grande influência do valor dos impostos e contribuições praticados.

Média do preço da gasolina ao consumidor final:

  • 4%: Distribuidora (bandeira);
  • 5%: Posto de combustível;
  • 12%: Valor referente ao Etanol anidro que é adicionado ao combustível;
  • 16%: Tributos referentes à Cide e Pis-Pasep e Cofins. Aqui colocamos percentual para exemplificar, mas esses tributos são cobrados em valores fixos de R$ 0,10 e R$ 0,80 por litro, respectivamente;
  • 29%: Referente ao ICMS;
  • 34%: Preço dos combustíveis atribuído pela Petrobras.

Assim, conseguimos ver que o preço final pago pelo consumidor ao abastecer o seu carro com gasolina possui 45% de impostos, o que equivale a quase metade do combustível.

O óleo Diesel tem uma carga tributária um pouco menor, com intenção de estimular a utilização do transporte público. Os tributos Cide e Pis-Pasep e Confins equivalem a 9% do preço do diesel, enquanto o ICMS responde por 15%. A flutuação do preço do óleo tem um impacto maior na vida da população, pois influencia diretamente no valor das passagens de ônibus e no preço dos produtos transportados por caminhão.

Subsídios na gasolina brasileira

Vimos um pouco sobre o subsídio e como ele pode ajudar reduzir ou congelar o preço do combustível. Essa estratégia foi, durante algum tempo, utilizada pelo governo brasileiro para tentar evitar as altas no preço da gasolina. A intenção era tentar conter a alta inflação, desencadeada entre outros fatores pela crise financeira de 2008.

Essa prática acabou causando prejuízos para a produção de etanol, que se viu sem condições de competir pela preferência do público devido ao congelamento do preço da gasolina. Tal situação prejudicou a imagem do país na área de fontes de energias renováveis.

A verdade é que os subsídios conseguem maquiar o problema oferecendo uma solução rápida, mas um tanto ilusória, pois gera um efeito em cascata. Primeiramente, a interferência estatal na política de preço causa incerteza ao mercado, o que espanta os investidores em potencial.

Além disso, em 2010 o país voltou a importar grandes quantidades de petróleo para atender à demanda, como vimos anteriormente. O que aconteceu foi que, quando a Petrobras importou a matéria-prima, o preço foi cobrado segundo as cotações internacionais. Porém, ao revender no mercado nacional mais barato, o resultado foi um prejuízo gigantesco para a estatal, algo que afastou ainda mais os investidores e só aumentou o rombo.

O resultado disso foi que a empresa estatal de um dos maiores produtores de petróleo do mundo conseguiu a façanha de fechar as contas no vermelho. A Petrobras teve um lucro de R$ 13,5 bilhões no ano de 2009, e a política de preço aliada a outros fatores deixou a companhia com um prejuízo de R$ 11,6 bilhões em 2012, ápice da crise da empresa.

Tentando recuperar a saúde financeira da companhia, em meados de 2017 o governo prometeu não interferir mais na política de preços da Petrobras, deixando-a livre para seguir os valores internacionais. O principal motivo é atrair os investidores e recuperar a confiança no mercado internacional.

Entretanto, algumas situações já sinalizaram que a promessa pode não ser cumprida. Com a greve dos caminhoneiros em 2018, movimento que reivindicou melhores preços do diesel para trabalhadores fretistas, o governo propôs um subsídio de R$0,46 por litro de óleo durante 2 meses para que os caminhoneiros voltassem às estradas.

Já no governo atual, em 2019, o presidente sinalizou uma possibilidade de interferência. O fato ocorreu em abril, quando a Petrobras pretendia aumentar o preço do óleo diesel em 5,7%. O presidente da república pediu para segurar o aumento, o que fez com que o “filme” das ingerências estatais sobre a política de preços voltasse a passar na cabeça dos acionistas. Entretanto, mais tarde a estatal afirmou que não havia necessidade de realizar o aumento naquele momento, uma vez que a inflação estava abaixo da meta para o ano. Isso pareceu resolver a situação, por ora.

Conclusão

O preço dos combustíveis influencia a política, cria amigos e inimigos, gera manifestações e dita os rumos da economia mundial. Apesar do avanço da tecnologia, os derivados de petróleo ainda são as principais opções ao consumidor, e a gasolina pesa no bolso da maioria dos brasileiros.

Como vimos, o preço do barril de petróleo está longe de ser o único elemento determinante do preço cobrado na bomba. No mundo inteiro, a manipulação dos valores praticados visa incentivar ou desestimular determinados setores e comportamentos. Temos países preocupados com o meio ambiente e com o trânsito, que preferem dificultar a vida de quem tem carro ao fazer que seja mais barato andar de ônibus e metrô. Em contrapartida, alguns países de população muito pobre oferecem uma gasolina muito barata, maquiando a real situação econômica enfrentada pelos seus habitantes.

No Brasil, a gasolina está longe de ser a mais cara do mundo, o que de forma nenhuma torna ilegítima a reivindicação do povo brasileiro. Vimos a Petrobras afundar em um mar de dívidas diante de interferências estatais em políticas de preços insustentáveis. Percebe-se que o país tenta solucionar o problema do custo da gasolina através do subsídio, ao invés de mexer naquilo que gera maior impacto: a carga tributária.

Impostos e Contribuições federais e estaduais são responsáveis por quase metade do valor da gasolina. Não seria muito mais proveitoso uma reforma tributária que desonerasse um pouco o consumidor final ao invés de praticar ingerências estatais que afundam em prejuízos uma das principais empresas do país? Infelizmente parece que ninguém do alto escalão quer tocar seriamente nesse assunto. Subsídios podem trazer um efeito imediato, mas que não tem retorno a longo prazo.

Cabe a nós permanecer atento aos valores e aos agentes influenciadores dos preços de combustíveis. Seja de forma direta, ao abastecer o nosso carro, ou indiretamente no valor dos produtos do supermercado, os preços praticados no mercado de combustíveis influenciam nossa vida, o país e o mundo.

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